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Notícias - Educação

25/02/2015

Cabo de Guerra

Por Prof. Venâncio Domingos Vicente - Governo e Sindicato entraram num estado de “medir forças”. O cabo, conhecido por “educação”, com certeza será o mais castigado, com risco de romper-se. A arena dessa medição de forças é o Estado do Paraná. O tirante (cabo) a nossa juventude sem escola.

Força A:

Do lado do Estado, responsável por planejar os serviços que tem por obrigação constitucional oferecer, a força vem da necessidade de arranjar recursos. As vacas andam magras... Mas que vacas são essas? Todas as maquininhas da Secretaria da Receita, que são ordenhadas passando-lhes nas tetas - os inúmeros cartões de débito e de crédito. Esse “leite” cai nos botijões para “alimentar” ofícios do governo: educação, saúde, segurança... Botijões danificados pela corrupção da ferrugem vazam leite por todos os lados. Seria a solução correta, fechar os furos da ferrugem. Muito difícil...

Mais simples: aumentar o leite de cada “ordenha”, extorquindo mais das tetas até que murchem. Mas isso tem uma consequência grave: a vaca vai pro brejo. Sem contar que muitas “vacas”, saudáveis e boas de leite, vão produzir leite em outras freguesias...

Essa ordenha forçada tira a legitimidade do governo à proporção que não trata de fechar os furos produzidos pela “ferrugem”. Com isso ficam potencializadas as forças do lado contrário.

Força B:

Acostumados a ter uma porção razoável do leite recolhido pelas “tetas eletrônicas” os representantes das legiões trabalhadores, não aceitam cortes nas quotas de “leite” e argumentam que o lado oposto se preveniu assegurando uma proporção ainda maior para eles no leite produzido pelas “maquinetas” eletrônicas. Preocupações com rupturas ou danificações no cabo de força (educação) nenhumas. Afinal, quanto pior o cabo, mais fáceis serão as disputas futuras. Rompe-se e produz o “empate técnico” que tem por consequência o nada.

Mas isso é uma cilada que ambos armam para si, num futuro muito próximo: ficarão sem “vacas leiteiras”... É desse cabo de guerra, chamado educação, que surgem as “tetas” e colocarão leite fresco e abundante nos botijões.

Vamos sair da alegoria.

No lugar de usar um cabo de guerra, as partes devem usar a mesa de negociações, apelidada de democracia que tem no argumento, no bom senso, na tolerância, a força para a justa distribuição dos recursos, sem esquecer que a educação é a atividade que deve merecer o melhor naco de recursos. A ninguém é permitido pensar primeiro em si, deixando a qualidade da educação em terceiro plano, visto ser ela o alicerce de um futuro melhor para a nação.

Quantos recursos são drenados, via inúmeras bolsas, para alimentar pessoas incapacitadas pelo analfabetismo ou subeducação de prover ao próprio sustento.

Para que tenhamos um amanhã melhor, todos são convocados à poupança de recursos. Mas os corruptos, os que roubam o fruto do trabalho do povo, precisam ir para a cadeia, não importa se usam ou não gravata, se se deslocam ou não por jatinhos.

Ou nós olhamos para o amanhã sem egoísmo, ou seremos engolidos por ele, numa espécie de autofagia.

O Futuro, preocupado, nos observa!

Venâncio Domingos Vicente é presidente da Apade (Associação Paranaense de Administradores Escolares), que reúne diretores e professores das escolas da rede estadual do Paraná)

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